quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Notícia:Redes programam logística para a demanda
SÃO PAULO - Com forte expectativa de crescimento das vendas em 2011, grandes redes varejistas começam a ampliar seus serviços e preveem abertura de novos centros de distribuição (CD), como a rede de farmácias Pague Menos, que anunciou a abertura de um novo CD no sudeste, com meta de melhorar o atendimento na região. Além dela, a rede de lojas Havan afirma investir em um megacomplexo que envolverá também uma parte de armazenamento para melhorar a distribuição. No ramo supermercadista, para turbinar os estoques o Grupo Pão de Açúcar (GPA) afirma ter investido na aquisição de novos equipamentos para seu CD.
Majoritária no norte e no nordeste, a rede Pague Menos espera expandir seus negócios no mercado do centro-oeste, sul e sudeste brasileiro, e prepara um novo CD. "Ainda estudamos se o novo CD será em Minas Gerais, Rio de Janeiro ou outro estado, mas será na região", afirmou Deusmar Queirós, presidente do grupo.
O novo CD terá capacidade instalada para atender 300 lojas e deverá ter 15 mil m². "Logística para o interior dos estados é difícil, por isso é necessário um CD ainda mais perto", afirmou. O novo centro de distribuição também atuará em uma melhora no segmento de comércio eletrônico (e-commerce) do grupo. "Já atendemos com e-commerce, mas, até por termos o outro CD em Fortaleza [CE], nem sempre podemos atingir todos os locais do País. Com a chegada do novo CD teremos uma ampliação de atendimento e uma agilidade em entrega", afirmou o executivo, que continuou: "Quando você precisa de um remédio, você precisa na hora, não dá para esperar três dias, como no e-commerce de DVDs."
Hoje, a rede farmacêutica possui um CD em Fortaleza já com cerca de 60% da capacidade instalada em uso. "Com a demanda restante no CD de Fortaleza daria para abastecer todo o Brasil, mas precisamos estar mais perto da rede varejista, por isso a abertura de um novo CD é mais estratégica", disse Queirós.
"Apostamos e queremos muito crescer em todo o sudeste, centro-oeste e sul do País. O novo CD virá para mostrar que temos confiança nesse mercado e esperamos um 2011 ainda melhor, em que a capacidade instalada será muito usada", declarou ele.
Supermercados
Também de olho nas vendas de 2011, o Grupo Pão de Açúcar mira a aquisição de 89 transpaleteiras da marca americana Crown, distribuída no Brasil pela Commat Comércio de Máquinas. "Como temos as melhores expectativas para 2011, é natural que nos preparemos da melhor forma possível", afirmou Hugo Bethlem, vice-presidente executivo do Grupo Pão de Açucar.
A ideia é que as novas máquinas já estejam em uso em 2011 e que sirvam para potencializar e otimizar os serviços oferecidos pelo grupo. "Hoje a questão de logística é de suma importância para o bom desempenho de uma rede de supermercados. Desta forma, é preciso que a gente melhore o serviço à medida que cresce a demanda, que é o caso das nossas projeções para 2011", afirmou Bethlem.
De acordo com o executivo, o investimento é resultado do otimismo financeiro que o grupo tem para o Brasil. "Quando anunciamos a entrada de R$ 5 bilhões no Brasil nos próximos três anos [2010 a 2012] já prevíamos investimentos em aquisição de equipamentos, infraestrutura e logística", disse.
CD com benefícios
Para crescer e ganhar musculatura, a rede Havan, de eletrônicos, cama, mesa e banho, deu início no ano passado ao projeto de uma megaloja que envolve centro de distribuição. A proposta é ter ainda posto de gasolina e praça de alimentação, tudo às margens da BR -101, em Barra Velha (SC). A megaestrutura, que deverá ser entregue até dezembro, teve investimento de R$ 30 milhões e busca as vendas do verão de 2011.
A proposta da rede é criar no local um atrativo turístico a mais, e para isso pretende erguer uma réplica da Estátua da Liberdade com 52 metros de altura e equipada com um elevador. De acordo com Luciano Hang, diretor presidente da Havan, a Parada Havan - nome dado ao complexo - irá revolucionar o atendimento aos viajantes na rodovia, além de melhorar a logística com o novo CD.
Cosméticos
Recentemente, a Natura anunciou a expansão de seus modelos de produção e logística também com o objetivo de atender melhor a demanda a partir de 2011. O novo modelo apresentado pela companhia prevê a abertura de dois novos centros de distribuição no Brasil (Curitiba -PR e São Paulo -SP), e de dois centros de estocagem (hubs) e a ampliação do complexo-sede da Natura, em Cajamar (SP).
Com isso, a empresa deve encerrar 2011 com 14 CDs no País. "Queremos, mais que duplicar, triplicar a produtividade", disse o vice-presidente de Operações e Logística da Natura, João Paulo Ferreira.
Em outubro, a companhia inaugurou dois centros de distribuição que já estão em operação, em Uberlândia (MG) e Castanhal (PA). Já a abertura dos centros em Curitiba e São Paulo está prevista em junho e no último trimestre de 2011. Ainda no ano que vem, a empresa planeja ampliar os centros de distribuição em Mathias Barbosa (MG), Simões Filho (BA) e Jaboatão dos Guararapes (PE).
Sem revelar investimentos no novo modelo, Ferreira afirmou que os aportes serão feitos com recursos próprios. "Cremos que não há nenhuma intenção de captação de recursos", disse ele, acrescentando que os investimentos previstos integram o plano de R$ 250 milhões programado para este ano.
Fonte: DCI em 03/11/2010
Notícia postada pelo portal Logística Total
Notícia:Porto da Ford na Bahia completa 5 anos de operação
O porto Ford está preparado para receber navios de grande porte, de até 200 metros, e conta com rampas que permitem a operação simultânea de até dez caminhões-cegonha. Seu pátio de 119 mil metros quadrados tem capacidade para mais de 6 mil veículos, que podem ser localizados rapidamente por meio de um moderno sistema de radiofrequência.
“Utilizar um porto privativo é um diferencial importante da Ford, que contribui para que seus veículos sejam competitivos para o consumidor final. Sua eficiência operacional se compara aos melhores portos do mundo, com um dos melhores índices de qualidade e segurança”, diz Edson Molina, diretor de Logística da Ford na América do Sul.
Nesses cinco anos, o porto Ford não registrou nenhum incidente, atendendo a todas as regulamentações aplicáveis.
O porto traz ainda vantagens ambientais com impacto positivo bastante significativo no dia a dia, como a redução de distâncias e do tempo no transporte entre a fábrica de Camaçari e o destino final e, principalmente, contribui para a melhoria do trânsito rodoviário nas áreas urbanas.
Outro aspecto a ser destacado é o sistema avançado de gestão ambiental implementado, que inclui programas de reciclagem e educação ambiental em parceria com cooperativas e escolas das comunidades locais, além do monitoramento contínuo da biota aquática para acompanhar o comportamento da fauna marinha local.
O nome do terminal é uma homenagem a Miguel de Oliveira, ex-gerente de Assuntos Institucionais e Governamentais da Ford.
Fonte: A Crítica em 03/11/2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Noticia Logistique
Parte da cadeia de abastecimento que planeja, implementa e controla com eficácia o fluxo e a armazenagem dos bens, serviços e das informações entre o ponto da origem e o ponto de consumo com a finalidade de satisfazer todas as exigências dos consumidores em geral (desde agilidade como preço), a logística é hoje ponto de alta relevância para os executivos das grandes empresas.
Depois das dificuldades enfrentadas em decorrência da crise econômica, o tema logística está em destaque como solução para muitos problemas. O ano de 2010 tem marcado a retomada das negociações, onde a recuperação do mercado, que começou no segundo semestre de 2009, irá de fato se confirmar. “As empresas perceberam que o trabalho logístico visando a redução dos custos é uma fonte para agregar valor aos produtos e serviços e, consequentemente, uma das principais soluções para a redução de custos no Brasil”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Logística – ASLOG, Rodrigo Otaviano Vilaça.
Para Vilaça, o governo tem projetado ações para desenvolver o país, mas é necessária a injeção de investimentos mais pesados no setor, principalmente em infraestrutura, pois auxiliará consideravelmente na consolidação do desenvolvimento. “A intermodalidade dos modais de transporte é outro item de extrema importância para que tenhamos mais eficácia na atividade logística no Brasil. O país deve atualizar-se de forma mais rápida e focar na intermodalidade para se tornar mais competitivo”, revela.
Outra questão que deve ser abordada, segundo o presidente da ASLOG, é o investimento profissional. “Investir em pessoas, no seu desenvolvimento, na sua capacitação e na retenção de conhecimento é um diferencial competitivo valioso e que jamais deve ser deixado de lado”, declara.
Considerada uma das principais soluções para a redução de custos no Brasil, a importância da logística tem sido sentida, de forma significativa, em praticamente todos os setores. “O seu crescimento contínuo tem demonstrado grande força no Brasil, principalmente no que se refere ao gerenciamento do tempo e dos recursos necessários para a produção e movimentação. Neste novo cenário da economia mundial pós-crise, as atividades que envolvem a logística têm desenvolvido um papel fundamental para a redução dos custos e para o aumento da competitividade entre as empresas”, diz Vilaça.
Graças à nova cultura das companhias, a tendência do setor para os próximos anos é o crescimento cada vez mais acelerado. Contudo, segundo o presidente da ASLOG, embora o Brasil esteja evoluindo, ainda tem um caminho longo a percorrer. “O modelo logístico nacional ainda está excessivamente focado no modal rodoviário, que corresponde a até 65% de todo o volume transportado, além de ser o segundo mais caro, perdendo somente para o aéreo. Esse custo é agravado, ainda, pelo precário estado de conservação das estradas”, sinaliza.
Vilaça vai além. “Sabemos que é necessária a intermodalidade dos modais de transporte para que tenhamos mais eficácia na atividade logística no Brasil. É preciso mais defesa e mais pró-ação, por exemplo, no modal ferroviário, assim como nos demais. Por outro lado, também é notório que, desde que assumiram a concessão das malhas ferroviárias, as transportadoras de cargas mudaram o cenário do setor - que passava por completa estagnação. A participação das ferrovias na matriz de transportes do Brasil passou de 19%, em 1999, para 30%, em 2009, sendo que a referência internacional nos desafia a atingir o índice de 42%”, declara.
Porém, para que o crescimento da logística não sofra interrupção é preciso que alguns entraves, ameaçadores do seu desenvolvimento, sejam solucionados. “Um exemplo é o desafio dos profissionais de apoio às atividades principais das empresas, ligando os pontos fornecedores aos clientes finais. As empresas tendem a trabalhar de forma bastante enxuta no que se refere a estoques e movimentações, zelando sempre pela redução de custos e pela obtenção de excelência no atendimento aos clientes. Estamos falando da ausência de qualificação da mão-de-obra, um gargalo do setor que, urgentemente, deve ser solucionado” diz o presidente da Aslog.
O executivo acredita também que ignorar e não utilizar o conhecimento instalado dentro da organização é um grande erro estratégico. “A organização deve proporcionar formação intelectual para o funcionário, deve torná-lo capacitado a exercer a função com competência. Deve valorizá-lo, sendo deferente com seus direitos e incentivando a sua capacitação. Desta forma, o colaborador interno trabalhará feliz, motivado, com comprometimento, com competência e o melhor: será fiel à empresa, ao seu produto, à sua movimentação e ao setor logístico”, acredita.
Fonte: Assessora de Comunicação - Logistique em 28/10/2010
Sinistralidade dos transportes: Os problemas que envolvem o transporte de cargas no Brasil
(Chapecó) – O segundo dia de seminários na Logistique 2010 iniciou às 16h desta quarta-feira, com o palestrante Sergio Casagrande de Oliveira. O tema sinistralidade dos transportes apresentou os principais problemas enfrentados no setor. Os principais fatores são: más condições das estradas, despreparo da estrutura da policia, trânsito quadrilhas migratórias, concentração de entrega no final do mês e impunidade dos receptadores.
Os furtos são os motivos de maior dor de cabeça para as empresas de transportes. Só em 2009 foram registrados 13.500 furtos de cargas e a estatística para 2010 representa algo em torno de 16 mil roubos, segundo dados da Associação Nacional de Transportes e Logística (NTC). O valor roubado cresce ao passo que o numero de casos diminui, caracterizando furtos qualificados que em 2009 chegaram a R$900 milhões.
Para o palestrante, Sergio Casagrande de Oliveira, os motoristas não são culpados pelos furtos, na grande maioria. “A maioria dos casos acontecem porque os motoristas entregam as cargas. Eles não fazem parte das quadrilhas, mas o sistema os obriga a entregar as cargas sem assaltos ou batidas”, diz.
Os produtos mais furtados são os alimentícios, seguidos por cigarros, eletroeletrônicos e farmacêuticos. Os roubos acontecem em maior numero, 70%, em estradas, 30% dentro das cidade. 70% pela manhã dentro das cidade e 60% nas estradas durante a noite. Os veículos são recuperados em 80% dos casos e 60% dos valores mais elevados são furtados nas estradas.
Fonte: Assessora de Comunicação - Logistique em 28/10/2010
Notícia:Logística: Importante fator de crescimento sustentável
“Os correios entregam cartas porque é um papel social, mas o que nos interessa realmente são os produtos que atendemos. Somente na América Latina somos responsáveis por 85% das entregas”, diz.
Uma novidade de trabalho apresentada e utilizada em Chapecó para melhorar os serviços foi tirar a centralização na Capital do Estado. Os correios integraram uma malha Oeste do Brasil, encurtando os prazos de entrega. Alternativa utilizada para driblar a concorrência e que vai beneficiar o consumidor final que poderá trabalhar com prazos menores.
“Chapecó será a grande beneficiada com a centralização, porque tem posição estratégica e agrega entregas de forma facilitada para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul”, completa.
Fonte: Assessora de Comunicação - Logistique em 28/10/2010
Entrevista:País já vive apagão logístico, crê especialista
Notícia postada pelo portal Logística Total
SÃO PAULO - "O Brasil já vivencia um apagão logístico." A afirmação foi feita pelo diretor superintendente da Aliança Navegação e Logística e presidente do Centro Nacional de Navegação, Julian Thomas. Vivendo no Brasil há 20 anos, ele afirma que a capacidade reduzida nos portos de todo o País, a falta de rodovias e ferrovias para escoar carga e a burocracia impedem que o setor cresça e funcione de forma mais eficiente e rápida.
Em agosto, 21 navios ficaram aguardando para descarregar a carga, por causa das chuvas ocorridas no mês de julho.
Para dar uma idéia, em países como Cingapura o tempo para que a carga saia do porto é de algumas horas; este mesmo processo no Brasil demora uma média de 5,4 dias. Na prática, significa que os navios que vêm de fora operam mais tempo em território nacional do que em portos internacionais devido à baixa produtividade dos portos brasileiros.
Apesar dos gargalos, Julian Thomas acredita que o País tem capacidade de superar esta crise. Ele aponta, inclusive, que algumas medidas, como a criação da Secretaria Especial de Portos (SEP), devem alavancar o setor. Além disso, lembra: "Uma das coisas que aprendi a admirar no Brasil é a capacidade de sair de crises. Muitas vezes a gente espera a crise acontecer para depois sair dela de forma criativa e com muita imaginação", afirma.
O segmento sofre, ainda, com outros entraves como a burocracia. Julian Thomas ressalta, porém, que está em curso o programa "Porto sem Papel", que tem como objetivo acelerar este processo, e diz que dificuldades crônicas, como a que tínhamos com a drenagem, já estão recebendo medidas que aliviam o problema: a entrada dos portos foi aprofundada, o que permitiu que navios maiores entrassem e saíssem com carga cheia.
Por outro lado, ainda há percalços que impedem o crescimento do setor, e muito se deve ao fato de que não houve investimentos suficientes. "Há muitos e muitos anos não temos tido investimentos vultosos em novas instalações que adequariam a infraestrutura para o crescimento que estamos vivendo agora", explica.
Thomas lembra que o País já havia chegado a uma crise em 2007 e 2008, quando atingimos o limite da capacidade. "Em 2009 houve um colapso no comércio exterior, e esta era a oportunidade de fazer mais investimentos, mas infelizmente isso não aconteceu", assevera.
A consequência é que a falta de medidas trava o Brasil. Para o especialista no segmento, o País sofre de forma profunda com os gargalos.
Apesar de ter um grande potencial para realizar transportes de carga pelo mar por contar com uma costa extensa, o brasileiro ainda carrega a cultura de utilizar as rodovias. Hoje, 80% do transporte nacional é feito por estradas. Para mudar este perfil, entretanto, é preciso que os portos se tornem mais eficientes, para competir com os caminhões. "Já temos uma cabotagem em carga geral de contêiner viva que atualmente retira das estradas aproximadamente 750 mil caminhões por ano. Este número, no entanto, é muito pequeno perto do que poderia ser", lamenta.
O especialista lembra, ainda, que, por ser este um país democrático, muitas vezes a diversidade de interesses acaba por emperrar o segmento. "Acontece que no Brasil você tem, a nível governamental, uma variedade de interesses conflitantes fora e dentro do governo, e, como somos uma democracia, todos esses elementos precisam entrar em sintonia", diz.
Este mesmo país em 2014 será sede da Copa do Mundo e em 2016 será o palco das Olimpíadas.
Julian Thomas deu ao programa "Panorama do Brasil" a entrevista que se segue, realizada pelo jornalista Roberto Müller, pela editora do DCI Camila Abud, e por Milton Paes, da rádio Nova Brasil FM.
Roberto Müller: Thomas, você é especialista, sobretudo como presidente do Centro Nacional de Navegação, pelos setores que sentem as dores do crescimento, talvez como poucos. Como vai o setor, o que está acontecendo? Quais são os gargalos? Por que vemos que o Brasil anda mais devagar do que deveria e que não possui portos e aeroportos com capacidade necessária para receber navios e aviões para exportar e importar produtos que o País demanda ou quer vender lá fora? Você sente isso ao lidar com contêineres, portos e todo o setor?
Julian Thomas: Absolutamente, a gente sente na pele. São dores de crescimento, consequência dos muitos anos de falta de investimento no setor dos portos, especificamente. Isso porque há muitos e muitos anos não temos tido investimentos vultosos em novas instalações que adequariam a infraestrutura para o crescimento que estamos vivendo agora. Tivemos um tremendo avanço no final dos anos 90, quando os portos foram privatizados. Isso revolucionou a indústria dos portos, mais especificamente quando se trata do transporte de contêineres. As empresas que ganharam as concessões fizeram investimentos vultosos e aumentaram a eficiência do sistema como um todo, o que permitiu que o Brasil crescesse no comércio internacional, porém esses investimentos não foram suficientes em termos de novas instalações que adaptam esta infraestrutura. Para se ter uma ideia, já chegamos a uma crise em 2007 e 2008, quando atingimos o limite da capacidade. Em 2009 houve um colapso no comércio exterior, e esta era a oportunidade de fazer mais investimentos, mas infelizmente isso não aconteceu. Este ano, a importação cresceu 67% se comparado a 2009 e, com base em 2008, quando a situação já era crítica, crescemos 17%.
Milton Paes: É fato que há uma necessidade proeminente de investimento de ampliação nesta questão de portos, mas, na sua avaliação, até que ponto isso trava o Brasil? Principalmente sendo o Brasil um país emergente. Porque a gente vê, por exemplo, que o próprio governo avalia em determinadas situações, pela questão da infraestrutura, que o Brasil não pode crescer em um percentual tão acima do que o governo prevê que deva crescer. Pensando assim, na sua opinião, até que ponto isto trava o País?
Julian Thomas: Trava de forma profunda porque não se trata só do comércio exterior, que é vital para o Brasil crescer. Se vemos esta onda de importação, não é somente pelo consumo: uma alta porcentagem é de produtos de investimento para a indústria se aparelhar, mas também existe uma grande oportunidade para o Brasil crescer nos segmentos entre portos brasileiros, que é o que chamamos de cabotagem. O Brasil tem uma matriz altamente rodoviária, uma cultura de transportar tudo por rodovia: atualmente, 80% do transporte nacional é feito por rodovia. Isso tem razões históricas que visavam a promover a produção nacional de veículos e de caminhões, e, agregada à inflação, em que precisava sempre ter um transporte muito rápido e flexível, criou-se esta cultura rodoviária que, na verdade, não suporta manter uma matriz tão dedicada a um modal só. A matéria dos portos está inibindo o crescimento do transporte via mar nacionalmente, e o País tem uma tremenda vocação para este segmento. A maior parte da população vive a 120 quilômetros da costa, o que significa um potencial gigante de crescimento. Já temos uma cabotagem em carga geral de contêiner viva. Ela tinha morrido até 97, mas com a privatização dos portos ela retornou e hoje se pode dizer que ela tira da estrada mais ou menos 750 mil caminhões por ano. Mas este número é muito pequeno perto do poderia ser. O problema é que para que isso aconteça precisamos de portos eficientes, que permitam que a carga flua com rapidez, o que não ocorre hoje. É preciso oferecer eficiência, porque para competir com o caminhão tem de oferecer um serviço confiável e rápido e, com esta situação nos portos, às vezes esta confiança só se dá a custos muitos altos. Só para ilustrar, podemos comparar o setor aéreo: o passageiro vai para o aeroporto esperando que o voo dele saia e chegue no horário programado; com os navios é a mesma coisa. A gente oferece serviços em dias fixos para que seja possível planejar a chegada e a saída da carga, mas com a infraestrutura atual temos gargalos que não possibilitam esta confiabilidade, o que prejudica o setor.
Camila Abud: Desde o início do ano o DCI entrevistou alguns professores especializados, algumas empresas disseram que o Brasil iria passar muito rapidamente por um apagão logístico. Esta conversa voltou à tona recentemente, depois do primeiro semestre, quando o mercado todo teve um desempenho bem interessante, com retomada na faixa de patamares de 2008, no pré-crise, e então voltou-se a falar de apagão logístico. Alguns diziam que era choradeira do setor porque a Secretaria Especial de Portos (SEP) tem feito grandes projetos, mas as empresas têm sentido impactos grandes, com filas de navios -me parece, de até 21 navios- para entregar carga, como o açúcar no mês de agosto. Quando ocorrerá um apagão? Haverá? E o que fazer para evitar isso?
Julian Thomas: Nós já estamos no meio de um apagão. Sempre se falou da crise e, na verdade, já estamos no meio dela. Você falou muito bem sobre o ocorrido com o açúcar, com 21 navios esperando, e isso em razão das chuvas ocorridas no mês de julho. É inconcebível ter de parar por causa desses problemas. Teria de existir uma estrutura para carregar e descarregar as cargas mesmo diante dessas eventualidades. Mas não é só neste segmento, em todos os outros ocorrem estes atrasos, e as soluções são a longo prazo. Precisamos aumentar a capacidade dos portos, ter mais rodovias e ferrovias que escoam a carga dos portos. Uma medida mais fácil, que aliviaria a infraestrutura existente de forma rápida, seria a desburocratização dos processos de importação e exportação. Para se ter uma idéia, a importação no Brasil, para a carga sair do porto, leva em media 5,4 dias; na Europa isso leva menos de 1 dia; em Cingapura é uma questão de horas. O efeito disso é que você tem quilhas e quilhas de contêineres que ficam no porto com mais carga chegando e querendo sair. O sistema para. Então se houvesse mais fluidez a estrutura existente daria conta de forma mais eficiente.
Roberto Müller: Ainda dá tempo de correr e sair desta briga? Ainda há tempo de sair do apagão e ver uma luz no fim do túnel?
Julian Thomas: Bom, uma das coisas que eu aprendi a admirar no Brasil nesses 20 anos em que estou aqui é a capacidade de sair de crises. Eu acho que no Brasil muitas vezes a gente espera a crise acontecer para depois sair dela de forma criativa, com muita imaginação. Vai demorar, mas eu continuo otimista que com o tempo vamos conseguir superar. É importante frisar que o problema foi reconhecido, de tal forma que foi criada a SEP, justamente para dar mais atenção a este setor. E a secretaria vem, com a liderança do ministro Pedro Brito, tomando iniciativas na direção certa. O problema de dragagem -aprofundar a entrada dos portos para permitir que navios maiores entrem e saiam com carga cheia- era um dos gargalos, era um problema crônico e foi abraçado e está em vias de ser solucionado. Quanto ao problema da burocracia que mencionei, está em curso um programa que se chama "Porto sem Papel", que visa a acelerar esses processos, e estamos à espera de novas licitações, de novas instalações de portos. Então, as soluções virão, mas vamos ter de conviver nos próximos anos com dificuldades na infraestrutura e com custos maiores, que estão longe de ser o ideal.
Camila Abud: Em relação aos custos, eu queria que você comentasse um pouco quem hoje precifica o transporte de contêineres, tanto para exportação quanto para importação. Seguindo esse mesmo contexto, e me parece que o preço de exportação de contêiner hoje é mais barato do que de importação, e há uma demanda muito grande de importação. E nos próximos meses principalmente, por causa do Natal. Fale um pouco sobre esta questão da precificação.
Julian Thomas: A precificação, na verdade, é muito simples. Depende da procura e da demanda. Na indústria, em geral, o preço do frete se compõe pela demanda e pela oferta. Isso sobe ou desce. No momento, a procura de importação é maior que a exportação pela conjuntura mundial.
Milton Paes: Estabelecendo um comparativo de permanência no porto entre retirada e saída da carga, qual é a reação, por exemplo, destas companhias internacionais, que têm experiência em países como Cingapura, onde este processo leva horas? Qual é a reação delas no Brasil, onde isso leva cerca de cinco dias?
Julian Thomas: Significa que o navio está operando mais tempo aqui do que em portos internacionais por causa da baixa produtividade dos portos. O que acontece nesta operação, comparando com o avião, onde há escalas regulares, temos de ajustar a operação calculando de antemão que se gastará mais tempo nos portos brasileiros. Que se terá de dedicar mais navios à mesma rota do que seria estritamente necessário. Por exemplo, um navio que faz uma rota do Brasil para a Europa, você pode fazer em frequência semanal em 42 dias, ou seja, a cada 7 dias. Devido aos problemas na infraestrutura, nós passamos a fazer esta mesma rota, agora, em 49 dias, ou seja, mais uma semana e com 7 navios. Isso inclui um navio adicional para fazer o mesmo serviço que poderia ser feito com seis navios. Provavelmente isso tem um custo adicional muito grande. E este é o resultado das dificuldades que a gente vive aqui. O frustrante é que mesmo com este tempo a mais não estamos conseguindo dar conta, pois os problemas são tão graves que não dá para planejar. Um dia o problema está no Porto de Santos, no outro dia está no Porto de Paranaguá ou em outro porto qualquer, o que impede que tenhamos este planejamento que todo mundo na cadeia de logística quer ter para ter confiabilidade e custo reduzido.
Milton Paes: O governo brasileiro foi muito cobrado nesta questão e, até recentemente, tomou algumas medidas com relação aos portos, principalmente os portos que estão sob o modelo de concessão, cobrando uma eficiência maior. Por outro lado, entra uma outra questão muito importante. Muitas vezes é fácil cobrar o concessionário, mas o difícil é, por exemplo, olhar para si mesmo. Porque esta questão burocrática que existe nos portos é uma questão meramente governamental, não é uma questão da concessionária. Então, como resolver efetivamente este gargalo? Porque isso implicaria uma série de outras questões, por exemplo, poderia reduzir tempo, custos operacionais. Como é que você avalia isso?
Julian Thomas: Como eu disse antes, o problema foi reconhecido e tem este programa, chamado "Porto sem Papel". Acontece que no Brasil você tem, a nível governamental e em todos os assuntos em que se toca, uma variedade de interesses conflitantes fora e dentro do governo, a nível municipal, a nível estadual, e, como somos uma democracia, todos esses elementos precisam entrar em sintonia para que possamos resolver os problemas que há. Isso leva muito tempo. Não é como na China, onde, simplificando, se dá uma ordem e muito rapidamente ela é executada. Aqui não funciona assim, e isso tem vantagens e desvantagens. Fazendo uma analogia, cada um tem seu espaço na orquestra, mas é preciso que todos toquem em harmonia.
Fonte: DCI em 01/11/2010
Notícia postada pelo portal Logística Total
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Artigo:Miriam Leitão - Sem lógica
| Miriam Leitão - Sem lógica Fonte: Diario de Pernambuco em 18/10/2010 Notícia postada pelo portal Logística Total No primeiro balanço do PAC, o trem-bala não constava, no décimo, ele estava no primeiro lugar absorvendo metade dos investimentos previstos para o setor. Não foram feitos os estudos detalhados necessários para que as construtoras possam calcular suas ofertas, mas a licitação está prevista para o fim do ano. Já foi avaliado em R$ 18 bilhões, agora em R$ 34 bilhões e pode ir a R$ 70 bilhões. Os especialistas em logística não sabem como foi que, de repente, o TAV, Trem de Alta Velocidade, virou a prioridade absoluta do país, e acham que pode custar o dobro do calculado. Enquanto isso, o investimento no Ferroanel de São Paulo caiu de R$ 528 milhões, na previsão do primeiro balanço do PAC, para R$ 20 milhões, no décimo balanço. O professor Paulo Fernando Fleury, do Instituto Ilos de Logística e Supply Chain, fez um estudo sobre as estruturas viárias do país, uma pesquisa junto às grandes empresas consumidoras de serviços logísticos, e uma análise do PAC. Viu o retrato de um país perdido entre prioridades invertidas, decisões confusas das autoridades e muitos gargalos. - Uma pesquisa do Banco Mundial mostrou que 91% dos empresários brasileiros acham que a logística é uma vantagem competitiva estratégica para as empresas. Num ranking de desempenho logístico em 150 países, o Brasil ficou em 41 em desempenho logístico, mas isso porque a privatização das comunicações melhorou o item infraestrutura. No item "procedimentos alfandegários", o Brasil está em 82. Existem dez órgãos para carimbar e dar autorização na Alfândega. Em 2008, houve 121 dias em que pelo menos uma das repartições que operam dentro dos portos estava em greve, disse Fleury. A logística mistura uma série de fatores que vão desde o transporte, armazenamento, gestão de estoques, organização de fluxos de insumos e de entrega do produto final de uma empresa. O conceito era quase desconhecido há alguns anos, hoje está no coração das empresas. Fleury conta que numa pesquisa de 1995 em nenhuma das grandes empresas brasileiras havia um responsável por logística. Em 2003, uma pesquisa sobre o nível hierárquico do principal executivo de logística nas grandes empresas brasileiras não havia uma única empresa em que ele fosse presidente ou vice-presidente, mas em 42% delas o responsável era diretor e em 49% era gerente sênior. Agora, em 23% delas o principal executivo de logística está no nível de presidente ou vice-presidente da empresa e em 37% está na diretoria. O setor privado tem investido cada vez mais em logística, o setor público não consegue remover os gargalos, nem tornar eficiente a malha viária do país. A demanda por serviços logísticos vem crescendo de forma explosiva. As exportações cresceram 18% ao ano desde 2001, a movimentação nos portos cresce a 7% ao ano. Nas ferrovias, desde a privatização em 1997 houve um aumento de 102% de carga transportada. Em 1997, havia 35 operadores logísticos, hoje existem 165 empresas que fazem esse trabalho e o faturamento delas saiu de R$ 1 bilhão para R$ 39 bilhões. O custo logístico no Brasil é de 11,6% do PIB, nos Estados Unidos é de 8,7%. No Brasil é 30% maior. A comparação com qualquer outro país continental mostra uma enorme disparidade da escolha das formas de transportes, os chamados modais. No Brasil, 62,7% da carga vão por via rodoviária, nos Estados Unidos, 27,7%. Aqui, só 21,7% são por via ferroviária, lá, 41,5%. No Brasil, 3,8% vão por dutos e lá, 19%. No aquaviário estão equivalentes, 11,7% e 11,5%. No aéreo, 0,1% aqui e 0,3% lá. Mas por aviões vai a carga mais valiosa. - Se aplicássemos no Brasil a proporção da matriz dos Estados Unidos, mantendo os custos brasileiros, a economia seria de R$ 58 bilhões, 2% do PIB. E reduziríamos 35% das emissões dos gases de efeito estufa no transporte. Há uma correlação direta entre desempenho logístico e competitividade na exportação de produtos de alto valor agregado, diz Fleury. Olhada pelas autoridades de forma partida, a logística é o nervo exposto da falta de competitividade brasileira. Um exemplo: os portos. Eles têm dificuldades, mas a pesquisa mostrou que para os empresários o principal problema dos portos é a ineficiência do acesso rodoviário até eles. Quando se pergunta às empresas quais são os principais problemas de infraestrutura do país, só 27% registraram o item "poucos portos", mas 95% apontaram "estradas mal conservadas" e 86% apontaram "malha ferroviária insuficiente". O PAC não melhorou esse quadro, na opinião do especialista. Primeiro, pela falta de visão integrada de logística; segundo, pela falta de sentido de algumas prioridades como a do trem-bala. - Nem foi citado no primeiro balanço do PAC e no décimo balanço aparece como a maior prioridade nos investimentos logísticos do país. Nem foi estudado e já vai ser licitado. Não faz sentido. Além disso, a comparação entre o PAC-1 e PAC-2 mostra sobreposição de ações. Em um e outro, só nos portos há 17 ações repetidas, que estão no PAC-1 e aparecem como coisa nova no PAC-2. Em rodovias e ferrovias há uma série de trechos repetidos nos dois PACs, explica. Isso sem falar no fato de que entre os balanços, as ações são subdivididas para parecerem concluídas, e as obras são fracionadas para permitirem inaugurações sucessivas. Com truques como esses e falta de visão sistêmica, a ineficiência logística continua e vai drenando os esforços das empresas para serem mais competitivas. |
[PMI-Brasil]5o Congresso Brasileiro de GP
O 5º Congresso Brasileiro de Gerenciamento de Projetos será realizado nos dias 27, 28 e 29 de outubro de 2010, em Brasília-DF.
O tema central do encontro este ano é " Gerenciamento de projetos para o crescimento sustentável". O Evento terá o apoio do PMI Headquarter, da Integração Nacional dos chapters do PMI no Brasil, com duração de 3 dias, um deles dedicado a oficinas temáticas e 2 dias destinados a palestras com keynotes de renome internacional e representantes de empresas consagradas no mercado.
A palestra inicial do evento será proferida por Mark Langley o novo presidente mundial do PMI divulgado durante o último PMI® Global Congress 2010-North America.
Para maiores detalhes sobre o 5º Congresso Brasileiro de Gerenciamento de Projetos e 10º Encontro Internacional de Gerenciamento de Projetos, entrar em contato com o e-mail contato@5cbgp.com.br, pelo site www.5cbgp.com.br.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
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